sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Riqueza: Benção de Deus ou deus em forma de benção?


Riqueza é benção de Deus ou deus em forma de benção?

(O texto que você vai ler a seguir, é um trecho do meu livro DOUTRINAS INTRIGANTES)

Quem não precisa de dinheiro? Quem em perfeito juízo não se empenha para adquiri-lo? Então qual é o problema?

Conta-se que certa vez, um irmão que sofria do coração, ganhou mais de 400,000,00 num determinado concurso. Felizmente a notícia chegou antes a sua família, que ficou deveras feliz, mas também, preocupada em comunicar o fato ao felizardo, devido ao seu problema de coração, temendo um repentino enfarte. Pediram, então, auxílio ao pastor para que fizesse isso. O pastor se prontificou. Procurou levar o irmão a um lugar adequado, e preparando-o emocionalmente, perguntou: “Irmão, o que o senhor faria se ganhasse 400,000,00, hoje? Ao que o irmão respondeu: “Não tenha dúvida pastor que, tão certo como vive o SENHOR, eu lhe daria 50,000,00, como agradecimento.” No outro dia o pastor estava sedo enterrado.


Ter dinheiro é tão rui assim? O dinheiro é necessário, claro, mas possuir grandes quantias de dinheiro mexe com as pessoas. Ele pode corromper um coração simples e extinguir a fé, como uma pessoa que tem o poder de entrar em nosso interior, mudando os nossos conceitos, o nosso comportamento e nossa forma de ver a realidade da vida. Quando isso acontece, temos um “outro ser” comandando a nossa vida.

A palavra mamon, (Mt 6:24), vem do aramaico mamona, cujo significado é riqueza ou prosperidade. Algumas versões traduzem por riquezas, outras por prosperidade ou dinheiro. No caso da ERC, ocorre a transliteração da palavra, por isso consta mamon, mesmo. Mamon não é a cédula nem a moeda que está em sua carteira, ou em sua conta bancária, se fosse, o homem seria o seu criador, além disso, cairíamos num grande paradoxo, afinal, o dízimo ou a oferta que damos na igreja, é dado, na maioria dos casos, em alguma forma de dinheiro que carregamos conosco, seja cédula ou moeda. Levaríamos um outro deus para o culto na igreja? Nesse caso, nunca seríamos monoteístas, pois sempre estaríamos com Mamon em nosso bolso, em nossa companhia, ou aguardando ansiosamente para vê-lo no 5º dia útil de cada mês. Mamon se manifesta através de um coração cheio de ambição, de avareza, de cobiça, do desejo desenfreado para ter sempre mais e acumular sempre mais, a qualquer custo.


A escolha entre o periférico e o essencial determinam quem você é. O Coração é baú de um só tesouro e altar para um só Deus. Você não é um panteão, é o templo do Senhor e não pode comportar dentro de si uma pluralidade de divindades, isto é, outro(s) deus(es), além do único e verdadeiro Deus. O senhor exige exclusividade em nossas vidas e isso é coerente com a sua palavra: “Andarão dois juntos se não estiverem de acordo?” ( Am 3:3). “Que combinação há entre a luz e as trevas?” ( 2Co 6:14). Não há lugar para uma trégua, não existe a mínima possibilidade de Deus permitir “outro senhor”, pois ele não reconhece outro Deus além dele: “ Há outro Deus além de mim? Não há outra rocha que eu conheça” ( Is 44:8). Costumamos por o nosso coração naquilo que consideramos de maior valor para nós ( Mt.6:21 ). Jesus nos ensina o que deve ser prioridade em nossas vidas:


“ Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este é : Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” ( Mt 22: 37-40 ).


De todo o coração. Significa que não há como dividir o espaço, não há como dar um “jeitinho”. O “amor ao dinheiro”, não o dinheiro em si, ou o “amor a riqueza”, não a riqueza em si, caracteriza o pecado da idolatria. Em outras palavras, tudo o que tem prioridade no coração de alguém é propriamente o seu deus. A palavra “Deus” não é o nome da divindade, é um substantivo comum, não um substantivo próprio, por isso, define Gutzke:


" A palavra “Deus” tem muitos sentidos. Qualquer coisa que alguém considere ser da máxima importância em, sua vida, cujo poder julgue ser grandíssimo e para obter cujo favor se disponha a fazer tudo ou a dar tudo isso chama-se propriamente seu “deus’. É possível alguém possuir muitos deuses. Quando uma pessoa adora qualquer cousa que não seja o Deus revelado na Bíblia, dizemos que ela adora ao um “ídolo”. Um ídolo pode ser atraente ou repulsivo. Pode ser uma coisa secreta, um personagem, mitológico, ou uma idéia. Mas sempre é algo que a pessoa serve com tudo quanto é ou têm. Alguns adoram, a bebida, os prazeres, o dinheiro, o poder ou mesmo outras pessoas. Qualquer coisa ou qualquer pessoa a quem eu der o primeiro lugar em meu coração, isso é um deus para mim.” 4


Riqueza ou é uma benção de Deus, ou é um deus em forma de benção, tudo depende de como quem a possui lida com ela, se a serve como a um deus ou se com ela serve a Deus.

O Senhor Jesus comparou as riquezas com o Diabo: “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt.6:24). Quem são estes dois senhores? Um deles é “Deus” e o outro são as “riquezas”. Jesus não era enganador nem mentiroso, sabia o que estava falando. Se ele disse que não há possibilidade de servirmos a Deus e as riquezas, é porque realmente não há.

Ele usou a palavra “mamon” de forma personificada, referindo-se a “uma pessoa”, e esta pessoa também foi qualificada como sendo “uma divindade”, ou, um outro deus. Mamon, portanto, é um algoz do verdadeiro Deus.

Deve ser feito uma escolha, ou o rico serve ao Deus verdadeiro, ou as sas riquezas (Mamom ERC). Se em sua prédica, um líder ensina as pessoas a se empenharem de todas as formas para ficarem ricas, fala mais de prosperidade financeira, do que de outra coisa, ele comete no mínimo três erros:

1. Está, com isso, realizando a exaltação simbólica da figura do “outro senhor”, o Diabo. A figura do Diabo, que simbolicamente é representada pelas riquezas, tomou prioridade

em muitos púlpitos! A riqueza é um “outro senhor”, a avareza é "idolatria", e idolatria é pecado (Ex.20:3; Dt.6:4;


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4. GUTZKE, Manford. Manual de doutrinas. Temas centrais da fé cristã, P. 13.


Mt.4:10). O Diabo sempre quis ser semelhante a Deus, adorado e cultuado (Is14:13,14), e não medirá esforços para isso, ainda que a sua igreja não possa ser rotulada com o seu próprio nome, ele quer pessoas ansiosas por buscá-lo em forma de riquezas! Avareza é idolatria (Cl 3:5), e é condenada pela Bíblia, nos ensinos de Jesus e dos apóstolos (Mc 7:22; Lc 12:15; Rm 1:29; II Co 9:5; Hb 13:5).

2. Está, de forma consciente ou inconsciente, agindo como um sacerdote entre dois deuses tentando fazer com que uma pessoa comungue com os dois simultaneamente. É como se alguém tentasse unir o bem e o mal em um mesmo ambiente. Típico ensino da nova era.

3. Está opondo-se aos ensinamentos do próprio Cristo, pois ele mesmo já advertiu que isso nunca será possível. É, um pregador rebelde. Desconfie, tais ensinos não batem com os ensinos de Cristo e dos apóstolos.


Não quer dizer que se você for rico, ou bem sucedido financeiramente, tenha que se tornar pobre por ser um cristão, mas deve consagrar tudo o que te pertence a Deus. Colocar tudo o que você possui a disposição do Senhor e deixar que ele, te diga o que fazer e como agir. Você não deve, só porque ouviu um sermão tendencioso no qual o pregador parece querer só o que você tem na sua carteira, e está disposto a usar as palavras de tal forma como se fosse uma mão entrando em seu bolso para arrancar o que você tem, sob o pretexto de que “é para a obra de Deus”, se sentir culpado por não contribuir e achar que é obrigado a fazer isso. É claro que Deus requer mais de quem possui mais, portanto, ele espera que a sua contribuição seja mais generosa, porém, Deus falará com você em seu coração. Se isso não ocorrer, não dê um passo, não mova uma palha, deixe que falem a vontade. Mesmo que sinta o desejo de fazer isso, controle-se e peça confirmação a Deus, mas não faça nada impulsionado pela emoção da mensagem ou do ambiente, nem por se sentir constrangido. Dê só o que Deus mandar, se ele não mandar, não dê. Dê o quanto Deus estipular, o que Deus não estipular, não dê. Os verdadeiros servos de Deus reconhecem a sua voz quando a ouvem, Jesus mesmo disse: “Ele chama as suas ovelhas pelo nome [...] vai adiante delas, e estas o seguem, porque conhecem a sua voz” ( Jo 2:3,4). Você saberá se é Deus quem ministra ao seu coração. Porém, se alguém quiser dar por iniciativa própria, ou porque fez algum voto e pretende cumpri-lo, é outra questão. Todos nós temos o nosso “particular” com Deus e ninguém tem o direito de interferir nisso. O coração que comunga com Deus é um ambiente sagrado, como o “Santo dos Santos” de cada um, em que só há lugar para duas pessoas, o adorador e Deus.



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