segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A NVI MERECE CRÉDITO?





Alguns cristãos insistem em afirmar que as únicas versões verdadeiramente fiéis e dignas de crédito, por estarem de acordo com os originais são as versões baseadas no chamado Textus Receptus (TR), como a versão brasileira ARC, e a americana King James Version. Muitas denominações usam apenas a ERC, e os seus líderes nem sempre gostam que seus fiéis façam uso de outras versões da Bíblia baseadas no Texto Crítico (TC). Outros vão mais longe e insistem a afirmar que as outras versões baseadas no Texto Crítico (TC), não são dignas de crédito e usam termos, ao meu ver, infelizes em seus ataques.

O Pr. Emídio Viana em um dos seus estudos intitulado “Expondo os Erros da NVI / NIV”, faz questão de afirmar que a NVI não é uma boa versão para os cristãos. Será que as críticas desse pastor procede mesmo? É isso o que iremos descobrir logo, em nosso estudo sobre a credibilidade da NVI.



Não será possível citar o nome de todas as versões baseadas no TC, por isso, citarei apenas aquelas que eu consultei durante este estudo, embora eu procure citar os textos da NVI, já que ela tem sido a mais atacada. São elas:

ARA = Almeida Revista e Atualizada.
NTLH = Nota Tradução na Linguagem de Hoje
NVI = Nova Versão internacional.
NTJ = Novo Testamento Judaico.
BJ = Bíblia de Jerusalém.
ARC = Almeida Revista e Corrigida.

Neste nosso estudo, para não ter que ficar repetindo os nomes e nem as siglas de todas estas versões usarei as letras “TC”, abreviação da expressão Texto Critico, para me referir as versões baseadas nele e as letras “TR” para me referir as versões baseadas no Textus Receptus. Antes de darmos uma conferida nos textos da NVI para verificarmos se as acusações contra ela realmente procedem, é importante que o leitor conheça um pouco o que significa Textus Receptus e Texto Crítico.

O QUE É "TEXTUS RECEPTUS"?
A expressão "Textus Receptus" (em potuguês, Texto Recebido), surgiu de um elogio exagerado a uma segunda edição dos Elzevirs em 1633, como veremos logo abaixo. O elogio fazia parte do prefácio em latim e dizia assim: "O texto que é agora recebido por todos, no qual nada damos de modificado ou corrompido". O TR surgiu a partir de várias versões que vieram após a tradução do Novo Testamento Grego feito pelo humanista holandês Desidério Erasmo (1469-1536) de Roterdã, o mesmo que escreveu o livro "Elogio a loucura"

Francisco Ximenes de Cisneros (1437) foi quem promoveu e organizou a primeira edição impressa do Texto Grego do Novo Testamento, como parte da chamada Bíblia Poliglota Complutense. Desidério Erasmo, mais conhecido como Erasmo de Roterdã, era também um famosos escritor. Em 1516 ele publicou o primeiro Novo Testamento Grego (NTG) que chegou ao domínio público. Isso aconteceu quando ele chegou em Basiléia em 1514 e recebeu uma proposta do editor I. Froben para que preparasse tal edição do NTG, pelo que seria muito bem remunerado. Erasmo chamou o seu NTG de Novun Intrumentun.


Em Basiléia, Erasmo não encontrou manuscritos (Mss) gregos bons o suficiente, e que contivesse o NTG completo. Assim, ele baseou a maior parte do texto que elaborou em apenas dois manuscritos minúsculos da biblioteca de um mosteiro dominicano local, sendo um dos evangelhos (2e) e outro dos atos e epistolas (2ap). Esses manuscritos são provavelmente do século XII d.C. Além disso ele usou outros Manuscritos para corrigir casualmente o texto (leap, 4eap e 7 ap). Para o livro do Apocalipse, Erasmo usou apenas um manuscrito também do século XII (1r). No entanto, faltava neste manuscrito a última folha com os seis últimos versículos da Bíblia, então Erasmo utilizou a Vulgata Latina traduzida por Jerônimo no século III d.C aproveitando não apenas para finalizar o seu NTG como também para corrigir os versículos ilegíveis dos manuscritos que ele consultou. Para o leitor que desejar saber mais a respeito destes manuscritos sugiro que lei a conhecida obra do Dr. B.P. Bittencourt, o livro Metodologia de pesquisa textual.

Observe, portanto, que a base do TR, não é os manuscritos mais antigos, ou seja, mais próximos dos originais do Novo Testamento, antes baseia-se em alguns poucos manuscritos recentes e não em manuscritos primitivos. O TR é, portanto, um texto mesclado. Bem, o leitor pode pensar que isso foi tudo é que a partir dai surgiu o TR, no qual se baseia a ERC e a versão do Rei Tiago, entre outras. Mas após Erasmo terminar o seu NTG surgiram outras versões.

Em 1519 surgiu uma nova edição a qual foi utilizada por Lutero. Outras versões surgiram em 1522, 1527 e 1535, 1546, 1549, 1550 e 1551. Entre os anos de 1624 até 1787, foram publicadas mais sete edições do NTG de Erasmo, sendo que A SEGUNDA EDIÇÃO DE 1624 TEVE COMO BASE O TEXTO DE BEZA, DE 1565. As edições feitas até 1527 estiveram sobre o encargo do próprio Erasmo.

Finalmente em 1633 na Holanda, ou seja, mais uma edição do NTG baseada no texto de Erasmo, e que foi publicada por Boaventura Elzevir e Abraão Elzevir. Esta edição está entre aquelas citadas no período de 1624 até 1787. O CÓDIGO DE BEZA NO QUAL SE BASEOU ESTA VERSÃO FOI ESCRITO NO FINAL DO SÉCULO IV OU INÍCIO DO SÉCULO VI d.C. Tendo sido produzido possivelmente na Europa Ocidental. Foi a segunda edição de 1633 que serviu de base para a tradução de João Ferreira de Almeida que dom o passar dos anos passaria por revisões dando origem as versões. Por exemplo, ARA (Almeida Revista e Atualizada), ERC (Almeida Revista e Corrigida), AEC (Almeida Edição Contemporânea),  e assim por diante. Entretanto, só a CORRIGIDA continua sendo fiel ao TR, e é por isso que os que aderem a esta versão opõem-se contra as outras versões que foram corrigidas e atualizadas conforme o Texto Crítico. Note que, até surgir finalmente o TR, passaram-se cerca de 117 anos, e muitas versões foram compostas nesse tempo.

O QUE É "TEXTO CRÍTICO"?
Você se lembra do movimento renascentista? Esse movimento desencadeou uma ênfase no interesse nos valores artísticos e literários valorizando principalmente os escritos e as artes gregas clássicas, Como resultado os cristãos estudiosos também começaram a valorizar os Mss gregos do NT e passaram a revisar a Vulgata por intermédio deles. Isso, somado a intenção da imprensa, abriu caminho para o desenvolvimento e a sistematização da crítica textual.

Durante os últimos 300 anos essa busca por manuscritos do NTG não foi em vão, pois foram descobertos muitos outros manuscritos do NT. O TC surgiu por causa desses novos manuscritos descobertos por esforçados pesquisadores os quais fizeram com que a crítica textual realmente se tornasse uma ciência. Então, no século XIX a predominância do TR foi interrompido e muitos não gostaram disso. O que os críticos buscavam era um texto que estivesse o mais próximo possível dos originais do NT.

Você pode ler mais a respeito e com detalhes na obra de Wilsos Parosche Crítica Textual do Novo Testamento. Em nossos dias a maioria dos estudiosos respeitados no campo bíblico usam e defendem o TC, como Parosche e os escritores Norman Geisler e Wilian Nix, autores do livro Introdução Bíblica. Como a Bíblia chegou a té nós, no qual encontramos a seguinte declaração: "Visto que o Texto Recebido segue o texto bizantino, basicamente, é quase redundante afirmar que sua autoridade não é altamente considerada pelos estudiosos". Norman, inclusive, é coautor da excelente obra Não tenho fé suficiente para ser ateu, entre outros importantes livros.

As traduções baseadas no TC procuram de alguma forma informar ao leitor quando determinada palavra, frase ou trecho não foram encontrados nos manuscritos mais antigos, ou seja, mais próximos dos originais. A ARA, por exemplo, faz isso colocando estas partes entre colchetes. Já NVI, e a NTLH, trazem anotações no rodapé. Logo em vez de serem criticadas deveriam ser elogiadas por não omitir ao leitor informações importantes nos textos em que outras simplesmente se calam e nada dizem.

Não significa que a CORRIGIDA deva ser jogada no lixo porque, como diz a excelente escritora Elizabeth Muriel Eckdal, todas as versões são úteis de alguma forma, basta que o leitor descubra qual seja a sua utilidade. Como tradução de uso devocional, ela deixa muito a desejar, não apenas por estar baseada no TR, como por ser uma tradução feita de forma muito literal, o que afeta a compreensão de algumas passagens importantes.

ANALIZANDO AS PASSAGENS NA NVI ( NOVA VERSÃO INTERNACIONAL)

Bem, a NVI é uma das versões baseadas no TC e por isso os adeptos do TR tentando jogá-la em descrédito caluniam a intenção dos tradutores. Vamos começar falando a respeito da divindade de Cristo.

Será que a NVI anula mesmo a divindade de Cristo Jesus? Vejamos os textos selecionados para tal crítica:
Mc 9: 24; Lc 23:42;1 Co 15:47; A única diferença nestes versículos é que não aparece a palavra “Senhor”, como acontece com as outras versões baseadas no TC, quando se referem a Cristo. É uma grande bobagem insinuar que as outras versões baseadas no TC atacam a divindade de Cristo baseando-se neste textos, pelo simples fato de que em vários outras passagens o título Senhor é usado em relação a Cristo sem problema algum, veja: MT 7: 21,22; 8:2,6,8,21; 12:8; Mc 11:3,9; Lc 5:8,17; Jo 4:49; 5:7; etc. São muitos e muitos outros textos por todo o Novo Testamento onde aparece a palavra “Senhor” em relação a Cristo. Logo tal afirmação não passa de uma afirmação infundada.

Além disso, no rodapé da NVI vem explicando ao leitor que em alguns manuscritos (referindo aos que formam a base do TR) consta a palavra Senhor. Isso acontece nos textos onde a palavra “Senhor” não aparece na passagem em questão. Logo, está bem longe de ser uma versão mal intencionada, pelo contrário, isso acontece para que o leitor saiba que nos manuscritos mais antigos e mais próximos dos originais, tais palavras não aparecem.


Entre os textos mais antigos, os mais próximos dos originais, merecem mais crédito. Exemplo, se um manuscrito é do século 4 d. C. e o outro do século 2 ou do século 1, a.C. qual está mais próximo dos originais? Com certeza, o do século 2. Diga-se de passagem, que muitas passagens sofreram alterações tanto intencionais como não intencionais, e muitos leitores não sabem disso.

João 3:13 Fiel = "Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, QUE ESTÁ NO CÉU." T.C. e NVI sacam do texto que Cristo "está no céu." Assim, anulam aqui (mesmo que não em toda a Bíblia), que Cristo é onipresente, é Deus! NVI: "Ninguém jamais subiu ao céu, a não ser aquele que veio do céu: o Filho do homem."

Outra bobagem é querer insinuar que a NVI não merece crédito simplesmente porque não acrescenta no texto a expressão “QUE ESTÁ NO CÉU”. Basta que o leitor observe que se a intenção dos tradutores fosse essa eles teriam que omitir todas as passagens nos evangelhos e no livro doa atos dos apóstolos que relatam não só a promessa de Cristo de retornar ao Pai, como também relatam que ele retornou ao céu. Ora, e quanto ao livro do apocalipse? Será que o critico não se deu conta da bobagem que disse? Com certeza não. Primeiro porque Jesus deixou claro que “se ele não fosse” o consolador não viria ( O Consolador é o Espírito Santo. Jo 16:6,6,7). E no capítulo 2 do livro dos Atos dos Apóstolos vemos isso acontecendo, logo após o mesmo escritor (Lucas) ter relatado no capítulo 1, a ascensão de Cristo aos céus. No livro do apocalipse temos as visões de João que relatam o retorno de Cristo, e assim por diante.

At 9:5,6 "E ele disse: Quem és, Senhor? E disse O SENHOR: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. DURO É PARA TI RECALCITRAR CONTRA OS AGUILHÕES. (6) E ELE, TREMENDO E ATÔNITO, DISSE: SENHOR, QUE QUERES QUE EU FAÇA? E DISSE-LHE O SENHOR:
A NVI omite aqui a palavra " Senhor” e a frase “Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões”, mas de forma alguma o leitor vai entender que seja um ataque a divindade de Cristo. Note que, na pergunta consta a palavra “Senhor”: “Quem és Senhor?” A razão da ausência da frase é que não consta nos manuscritos antigos, como já foi dito, e não anula a divindade de Cristo, veja At 4:26, 29, etc.

Rm 14:10, 12 "Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de CRISTO. Na NVI, aqui não aparece a palavra “Cristo”, no versículo 10, mas sim, a palavra “Deus”. Isso acontece nas versões baseadas no TR. Já no final do versículo 12 aparece a Palavra “Deus” mesmo. Com isso os críticos da NVI querem dizer que esta versão anula não apenas a divindade de Cristo como também nega que será diante dele que os crentes comparecerão para serem galardoados.

Ora, se realmente os tradutores desta versão tivessem esta intenção omitiriam o texto de apocalipse 22: 12 que diz: “Eis que venho em breve! A MINHA RECOMPENSA ESTÁ COMIGO, E EU RETRIBUIREI A CADA UM DE ACORDO COM O QUE FEZ”. As palavras em letras maiúsculas fui eu quem colocou. A palavra recompensa nas versões baseadas no TR, como a ERC, é “galardão”. Isso joga por terra essa crítica infundada. Quanto a divindade de Cristo, o próprio texto enfatiza isso quando Paulo diz que “Cristo morreu e voltou a viver, para ser Senhor de vivos e de mortos.” Veja ainda; Rm 10:12; 13:14; 14:6, etc.


1Tm 3:16 "E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: DEUS se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória." Nesta passagem pelos motivos acima citados, a NVI explica em nota no rodapé que muitos manuscritos, isto é, os manuscritos que servem de base para o TR, os mais distantes dos originais, aparece a expressão “Aquele que”. Por causa disso os críticos querem afirmar que mais uma vez a NVI nega a divindade de Cristo. Note mais uma vez que isso não procede conferindo os seguintes textos: Tm 1:12; 6:14, 15. Além de várias outras passagens como as que já citei em que fica claro que Jesus é Deus, como Jo1:1, Hb 1:8, 9, etc.

1 João 4:3 "E todo o espírito que não confessa que Jesus CRISTO VEIO EM CARNE não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo." Ora, a acusação aqui, fraca inclusive é de que a NVI nega que Jesus Cristo veio em carne, ou seja, que ele foi realmente um homem de carne e osso. Lógico que a NVI não anula esta verdade, basta que o leitor confira nos evangelhos as narrativas sobre o nascimento de Cristo vindo ao mundo como uma criança, vivendo como um ser humano qualquer, e isso fica claro, porque ele se alimenta, dorme, manifesta suas emoções, chora, canta, se entristece, e até mesmo fica zangado. As pessoas tocam nele, ele toca nas pessoas, em fim.

Não faz o mínimo sentido querer insinuar que a NVI nega que Jesus veio em carne, por omitir a expressão “Cristo veio em carne”, no versículo 3 porque no versículo 2 consta essa afirmação também ao dizer: “Todo espírito que confessa que Jesus veio em carne procede de Deus”.

Continuarei a mostrar a fragilidade dos ataques a NVI assim que possível, mas o que vimos até aqui serve para nos alertar sobre os exageros do conservadorismo que nega-se a aceitar algo que vá contra seus conceitos, mesmo que seja verdade.


A NVI anula a doutrina da trindade?
DE FORMA ALGUMA!!!
Em nenhum momento a NVI, anula a doutrina da trindade, mas é essa a falsa idéia que o PR. Emídio deseja passar para os leitores, tentando lançar a NVI em descrédito. Para fazer isso ele cita o texto de 1 Jo 5:7,8 que diz:
“Há três que dão testemunho: o Espírito, http://a água e o sangue; e os três são unânimes." (NVI)

Na Corrigida texto diz o seguinte:
“Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água, e o sangue; e estes três concordam num.”
Note que na NVI não aparece a parte que diz: no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra:”


A explicação para a ausência desta passagem é a mesma que dei acima sobre os outros textos, que não se encontram em manuscritos antigos, mais próximos dos originais, e por nenhuma outra razão, mais. Mas, seria impossível alguém que não gosta da NVI perder a oportunidade de tentar difamá-la por causa disso. Covardemente o Pr. Egídio tentou associar a NVI com a TNM (Tradução do Novo Mundo- Bíblia das testemunhas de Jeová), alegando que, da mesma forma como a TNM nega a trindade, a NVI também faz o mesmo. Vou provar que isso não passa de calúnia.

Vejamos:

Sabemos que a palavra “Trindade” não existe na Bíblia Sagrada em lugar algum, trata-se de uma doutrina bíblica implícita em toda a Bíblia que é percebida mediante as várias evidências tanto no AT, como no NT. Quem conhece a TNM sabe que ela nega de forma clara a “Divindade de Cristo” (ele é uma pessoa mas não é Deus), como a “personalidade e a divindade do Espírito Santo” ( Ele não é nem uma pessoa e muito menos é Deus).

Se realmente a NVI fosse conivente com a TNM seria preciso muito esforço para não enxergar isso. Mas vejamos a verdade sobre a NVI e doutrina da trindade.

Gn 1:2
NVI: Era a terra sem forma e vazia; trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas."

TNM: “Ora, aterra mostrava ser sem forma e vazia, e havia escuridão sobre a superfície da água de profundeza; e a força ativa de Deus movia-se por cima das águas”
Note, portanto, que a NVI concorda com todas as outras Bíblias nesta passagem, até mesmo com as que se baseiam no TR. Dentre as versões que consultei, apenas a Bíblia de Jerusalém, traduz de forma parecida com a TNM, pois trás “um vento de Deus”, em vez de “ O Espírito de Deus”. Quanto a isso o respeitado Dr. Derek Kidner, comentando sobre o livro de gênesis diz o seguinte:
Alguns preferem traduzi-lo por ‘um poderoso vento’ ( ex., Von rad, p. 47). Mas Dn 7:2, que reflete esta passagem, mostra que um escritor que quisesse comunicar esse significado, poderia fazê-lo sem exigir que seus leitores o adivinhassem na expressão costumeira usada com referência ao Espírito de Deus, construída de forma em comum.”
(Gênesis introdução e comentário. Derek Kidner, Ed. Vida Nova).
A expressão Espírito Santo, não é muito comum no AT, costuma-se usar a expressão Espírito de Deus, em relação a 3ª pessoa da divindade, sendo Espírito Santo mais comum no NT.
No NT, a TNM usa a expressão “espírito santo” com “e” minúsculo e “s” minúsculo, como uma forma de informar que o Espírito Santo não é uma pessoa e muito menos divino, mas apenas uma energia. Nas versões protestantes usa-se a expressão “Espírito Santo” com “E” maiúsculo e “S” maiúsculo, para referir-se a 3ª pessoa da divindade como uma pessoa divina, a saber a 3ª pessoa na divindade. Observe em sua Bíblia e tire suas dúvidas se é que ainda tem. Acontece que na NVI não é diferente veja:
NVI: “Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: "José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo.”

TNM: “Mas, depois de ter cogitado estas coisas, eis que lhe apareceu em sonho um anjo de Jeová, dizendo: “José, filho de Davi, não tenhas medo de levar para casa Maria, tua esposa, pois aquilo que tem sido gerado nela é por espírito santo.”


NVI:Assim que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele momento o céu se abriu, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele.”

TNM: “Jesus, depois de ter sido batizado, saiu imediatamente da água; e eis que os céus se abriram e ele viu o espírito de Deus descendo”

NVI: o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês.”

TNM: o espírito da verdade que o mundo não pode receber, por que nem o observa nem o conhece.”

NVI: Enquanto adoravam o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: "Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado".

TNM: “Enquanto ministravam publicamente a Jeová e jejuavam, o espírito santo disse: ‘dentre todas as pessoas, separai-me Barnabé e Saulo para a obra que eu os chamei.”
Quem não percebe a clara distinção entre as duas versões? A intenção da TNM em negar a personalidade e a divindade do Espírito Santo é patente. Já o mesmo não pode ser dito em relação a NVI, com certeza.

Quanto a divindade de Cristo
Além dos textos supracitados o leitor constatará facilmente que enquanto a TNM intencionalmente nega a divindade de Cristo, a NVI, por outro lado, corrobora a doutrina da trindade de acordo com as outras versões, mesmo as que aderem ao TR.
Vejamos: Jo1:1

TNM: “No princípio era a palavra e a Palavra estava com o Deus e a Palavra era [um] deus.”

NVI: No princípio era aquele que é a Palavra http://. Ele estava com Deus, e era Deus”.
Note, portanto, como a NVI difere claramente da TNM, enfatizando a divindade de Cristo, da mesma forma como fazem as demais versões!

Verifique ainda os seguintes textos em sua NVI: At 10:36; 1Co 2:8; Sl 24:8-10; Is 9:6; Hb 1:8.
Pronomes pessoais de Deus: Gn 1:26 , com Is 40:14 e Gn1:27. Também Is 6:8 e Gn 11:7;
E mais: MT 28:19,20; 2Co 13:13; MT 3: 16,17; 1Co 12:4-6.

Por fim, como já foi dito anteriormente ainda no rodapé da NVI há a explicação dizendo que no texto de 1 Jo 5:7,8, apenas alguns manuscritos da Vulgata trazem as palavras no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra:”

Não restam dúvidas, portanto, que o que existe de fato é uma tentativa frustrada no intuito  de minar a credibilidade na NVI, mas a pergunta que faço é: Por que? A resposta pode ser surpreendente para muita gente, principalmente quem abraça cegamente o que lhe é ensinado.

Quer um exemplo?

Leia neste artigo O DÍZIMO NO NOVO TESTAMENTO




domingo, 6 de novembro de 2011

E nós somos seres humanos...

"TEMO PELA MINHA ESPÉCIE QUANDO LEMBRO QUE DEUS É JUSTO"


Este tópico está divido em duas partes. O primeiro é sobre os animais e no final tem a Declaração Universal dos Direitos dos animais. O segundo, ainda nesta página, é sobre o ser humano e da mesma forma há Declaração Universal dos Direitos Humanos.

NÃO DEIXE DE ASSITIR "Terráqueos"

http://www.terraqueos.org/

Antecipo os meus sinceros agradecimentos por sua atenção e pelo seu tempo gasto aqui.

Nós humanos e os animais
ALGUÉM ACHA QUE DEUS ESTÁ ALHEIO AS MALDADES E ATROCIDADES COMETIDAS CONTRA OS ANIMAIS? ENTÃO LEIA ABAIXO TRECHOS EXTRAÍDOS DA BÍBLIA SAGRADA CONCERNENTES A ISSO:

"A todo aquele que derramar sangue, tanto de homem COMO ANIMAL, PEDIREI CONTAS; a cada um pedirei contas da vida do seu próximo" (Genêsis 9:5)


" O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o Coração do homem é Perverso é Cruel ". (Provérbios 12:10).
 E como é cruel...

Os animais não sentem dor?


Não têm dignidade nem na hora de morrer?


Eles não sentem solidão e tristeza?

Quanto custa tratar bem os animais?



NÃO DEIXE DE ASSITIR "Terráqueos"

http://www.terraqueos.org/

Declaração Universal dos Direitos dos Animais
1 - Todos os animais têm o mesmo direito à vida.
2 - Todos os animais têm direito ao respeito e à proteção do homem.
3 - Nenhum animal deve ser maltratado
.
4 - Todos os animais selvagens têm o direito de viver livres no seu habitat.
5 - O animal que o homem escolher para companheiro não deve ser nunca ser abandonado.

6 - Nenhum animal deve ser usado em experiências que lhe causem dor.
7 - Todo ato que põe em risco a vida de um animal é um crime contra a vida.
8 - A poluição e a destruição do meio ambiente são considerados crimescontra os animais.
9 - Os diretos dos animais devem ser defendidos por lei.
10 - O homem deve ser educado desde a infância para observar, respeitar e compreender os animais.
Preâmbulo:
Considerando que todo o animal possui direitos;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo desses direitos têm levado e continuam a levar o homem a cometer crimes contra os animais e contra a natureza;
Considerando que o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência das outras espécies animais constitui o fundamento da coexistência das outras espécies no mundo;
Considerando que os genocídios são perpetrados pelo homem e há o perigo de continuar a perpetrar outros;
Considerando que o respeito dos homens pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante;
Considerando que a educação deve ensinar desde a infância a observar, a compreender, a respeitar e a amar os animais,
Proclama-se o seguinte
Artigo 1º
Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.
Artigo 2º
1.Todo o animal tem o direito a ser respeitado.
2.O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao serviço dos animais
3.Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem.
Artigo 3º
1.Nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a atos cruéis. 2.Se for necessário matar um animal, ele deve de ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia.
Artigo 4º
1.Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de se reproduzir.
2.toda a privação de liberdade, mesmo que tenha fins educativos, é contrária a este direito.
Artigo 5º
1.Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente no meio ambiente do homem tem o direito de viver e de crescer ao ritmo e nas condições de vida e de liberdade que são próprias da sua espécie.
2.Toda a modificação deste ritmo ou destas condições que forem impostas pelo homem com fins mercantis é contrária a este direito.
Artigo 6º
1.Todo o animal que o homem escolheu para seu companheiro tem direito a uma duração de vida conforme a sua longevidade natural.
2.O abandono de um animal é um ato cruel e degradante.
Artigo 7º
Todo o animal de trabalho tem direito a uma limitação razoável de duração e de intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.
Artigo 8º
1.A experimentação animal que implique sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de experimentação.
2.As técnicas de substituição devem de ser utilizadas e desenvolvidas.
Artigo 9º
Quando o animal é criado para alimentação, ele deve de ser alimentado, alojado, transportado e morto sem que disso resulte para ele nem ansiedade nem dor.
Artigo 10º
1.Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem.
2.As exibições de animais e os espetáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.
Artigo 11º
Todo o ato que implique a morte de um animal sem necessidade é um biocídio, isto é um crime contra a vida.
Artigo 12º
1.Todo o ato que implique a morte de grande um número de animais selvagens é um genocídio, isto é, um crime contra a espécie.
2.A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.
Artigo 13º
1.O animal morto deve de ser tratado com respeito.
2.As cenas de violência de que os animais são vítimas devem de ser interditas no cinema e na televisão, salvo se elas tiverem por fim demonstrar um atentado aos direitos do animal.
Artigo 14º
1.Os organismos de proteção e de salvaguarda dos animais devem estar representados a nível governamental.
2.Os direitos do animal devem ser defendidos pela lei como os direitos do homem.

Nós humanos e o nosso semelhante

Fonte: http://www.apasfa.org/leis/declaracao.shtml

http://4.bp.blogspot.com/_fgboW_3Q3XE/R-_7bIJGHZI/AAAAAAAAAvA/Jj2DVXcCfTY/s320/dog+3+Habacuc.bmp

Nós precisamos de um lar, ele não?
Ele tenta proteger o seu filho, mas infelizmente foi alvejado. Que perigo eles ofereciam, mesmo em uma guerra?






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Uma mulher indígena segura seu filho enquanto tenta resistir ao avanço de policiais do Amazonas que foram expulsar a mulher e cerca de 200 outros membros do Movimento dos Sem Terra a partir de um aparelho de propriedade privada de terras na periferia de Manaus, no coração do Brasil Amazônia 11 março, 2008. Os camponeses sem terra tentaram em vão resistir ao despejo, com arcos e flechas contra a polícia usando gás lacrimogéneo e cães treinados, e foram expulsos da terra.----------------------------------------------------------------------------
Imagino que ela pergunta "você tem uma filha?"



Quem pode dar o que não tem?
Omayra Sanchez foi uma menina vítima do vulcão Nevado do Ruiz durante a erupção que arrasou o povoado de Armero, Colômbia em 1985. Omayra ficou três dias jogada sobre o lodo, água e restos de sua própria casa e presa aos corpos dos próprios pais. Quando os paramédicos de parcos recursos tentaram ajudá-la, comprovaram que era impossível, já que para tirá-la precisavam amputar-lhe as pernas, e a falta de um especialista para tal cirurgia resultaria na morte da menina. Omayra mostrou-se forte até o último momento de sua vida.

Que Deus a tenha.http://www.youtube.com/watch?v=B0_K_3yz-QA

Garoto carrega irmão nas costas e ambos choram enquanto acontece uma batalha entre os rebeldes e o exército do Congo, em 6 de novembro de 2008.

Terremoto no Haiti
O urubu só não comeu o garoto enquanto o fotógrafo estava ali, e impedia

O último judeu condenado a ser enterrado vivo.
Isso tem nome: Racismo!
Observe a fisonomia daspessoas, como se animais estivessem ali, pendurados!
AGRADEÇA A DEUS TODOS OS DIAS POR SER QUEM É? AGRADEÇA A DEUS TODOS OS DIAS POR TER UM LAR, UMA CAMA PARA DESCANÇAR O SEU CORPO, UM OMBRO PARA CHORAR, UM CORAÇÃO QUE BATE POR VOCÊ, UMA MENTE QUE NÃO TE ESQUEÇE. AGRADEÇA A DEUS PELA SAÚDE QUE VOCÊ TEM, PELO CORPO QUE TEM, POR VIVER ONDE VIVE, PELOS SEUS PAIS, POR SUA EDUCAÇÃO!

RESPEITE O SE SEMELHANTE, NINGUÉM PEDE PARA NASCER POBRE, FEIO, OU SEM UM QI SEMELHANTE AO SEU (OU, DESCULPE A FRANQUEZA, DE COR, COM O CABELO DURO E DESTIDUÍDO DE ALGUMA BELEZA - AINDA EXISTE DISCRIMAÇÃO RACIAL CAMUFLADA ENTRE NÓS)! UM DIA VOCÊ VAI PARTIR DAQUI, ENTÃO, PORQUE NÃO FAZER ALGO QUE DEMONSTRE RESPEITO PELO QUE DEUS FEZ?

AME O SEU PRÓXIMO! AJUDE-O! ESTENDA A SUA MÃO PARA ELE! OFEREÇA O SEU MELHOR EM PROL DO BEM ESTAR DAQUELES QUE NADA TEM! NÃO CUSTA NADA AJUDAR UMA PESSOA, PELO MENOS ISSO SÓ VAI TE FAZER BEM. OS CÉUS CITARÃO O TEU NOME, OS ANJOS TE CHAMARÃO DE IRMÃO (Ã), E DEUS DIRÁ "É MEU FILHO (A)!"

LEMBRE-SE: A BELEZA NÃO É ETERNA! O DINHEIRO NÃO É ETERNO! O PODER NÃO É ETERNO! NADA, MAS ABSOLUTAMENTE NADA É ETERNO! SE VOCÊ TEM CERTOS PRIVILÉGIOS, É PARA ALGUM RÓPÓSITO! DEUS CONTA COM VOCÊ, PENSE SERIAMENTE SOBRE ISSO!

MORREU, ACABOU?! NÃO! MORREU, COMEÇOU! ELA É A VÍRGULA, NÃO O PONTO FINAL.
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III)
da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948
Preâmbulo
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,
Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra tirania e a opressão,
Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,
Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a observância desses direitos e liberdades,
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mis alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,
A Assembléia Geral proclama
A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.
Artigo I
Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Artigo II
Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
Artigo III
Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo IV
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.
Artigo V
Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
Artigo VI
Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.
Artigo VII
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo VIII
Toda pessoa tem direito a receber dos tributos nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.
Artigo IX
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo X
Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.
Artigo XI
1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
Artigo XII
Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.
Artigo XIII
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
2. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.
Artigo XIV
1.Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XV
1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.
Artigo XVI
1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer retrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.
Artigo XVII
1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
2.Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.
Artigo XVIII
Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.
Artigo XIX
Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
Artigo XX
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo XXI
1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de sue país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.
Artigo XXII
Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.
Artigo XXIII
1.Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus interesses.
Artigo XXIV
Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas.
Artigo XXV
1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.
Artigo XXVI
1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito n escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.
Artigo XXVII
1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.
Artigo XVIII
Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.
Artigo XXIV
1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XXX
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.


sábado, 18 de dezembro de 2010

HOMENS QUE O MUNDO NÃO ERA DIGNO DE TER


Eles deram continuidade a história da igreja

São com estas palavras que o escritor da carta aos hebreus
define a vida daqueles homens e mulheres de fé (Hb 11:38). Mas,
assim como a história da igreja não termina no capítulo 28 dos Atos
dos apóstolos, semelhantemente, a lista de heróis da fé não se resume
apenas aos citados pelo escritor aos hebreus. A história da igreja é a
nossa autobiografia que continua após o livro dos Atos escrito por
Lucas. Nós agora estamos dando continuidade, pois a igreja do Senhor
é uma realidade no mundo que nunca deixará de existir. Deus sempre
levanta homens e mulheres com o coração em chamas pela sua causa,
outros heróis e outras heroínas, cujas vidas torna o mundo indigno de
ter.

Porém, não podemos fazer vista grossa ao estilo de vida que
eles levavam, pois nos ensina muito sobre a vontade de Deus e a
realidade da vida. Sem um pingo de ambição ou avareza, aqueles
homens, cobiçavam, sim, almas para o reino; ansiavam, sim, por
salvar alguns "arrebatando-os do fogo" (Jd 23). Se a história tem uma
finalidade didática, muitos pregadores não a estudaram, e se
estudaram não observaram que a dependência de Deus e o amor a sua
causa, não ao dinheiro, é que avançou o evangelho verdadeiro. Em
síntese, vejamos o legado deixado por alguns aqueles heróis, no tocante a isso.

Almas convictas: chamados para instruir e defender a fé ortodoxa

Eles também são conhecidos como “os pais da igreja”, e,
como está evidente, os grandes vultos da história eclesiástica nem
sempre foram ricos. Entre eles podemos citar de forma bastante
sintetizada os seguintes:

HERMAS, bispo de Roma e autor da obra apocalíptica O
pastor de Hermas. Tendo se tornado um rico negociante após ter
deixado a vida de escravo, Hermas corrompeu-se deixando a família
de lado. Porém foi alcançado pelo evangelho e converteu-se
juntamente com a sua esposa. Mesmo assim, ele perdeu todas as suas
propriedades, ficou pobre, e foi então que escreveu a sua obra acima
citada.

ORÍGENES foi sucessor de Clemente de Alexandria outro
grande mestre da igreja e foi ainda autor de seis mil pergaminhos.
Mesmo tendo uma posição elevada, Orígenes levou uma vida ascética
chegando às vezes a dormir numa tábua.

JOÃO CRISÓSTOMO foi um homem tão eloqüente que
recebeu o título de “boca-de-ouro”. Foi também advogado, mas
tornou-se um monge e quando a sua mãe faleceu, passou a praticar
uma vida ascética bem rigorosa. Uma vida tão simples que era por si
mesma uma censura aos seus paroquianos de Constantinopla, os quais
tinham um padrão de vida muito elevado.

JERÔNIMO foi quem traduziu a conhecida Bíblia latina
VULGATA, vertendo das línguas originais para o latim, idioma
comum dá época no império romano. Ele também amou a vida
ascética a tal ponto que se tornou um pregador do asceticismo.

AGOSTINHO DE HIPONA, foi quem escreveu a primeira
obra de filosofia cristã. Quando se converteu Agostinho decidiu
vender a maior parte da suas propriedades e dar o dinheiro aos pobres,
como conta Justo L. Gonzales ( 1991, P.170,V2). Agostinho também
entendia que os problemas da vida ocorrem dentro da vontade de Deus
como confirmam as suas palavras: “Com efeito, aprouve á divina
Providência preparar para os justos, no futuro, bens de que os
injustos não gozarão e para os ímpios males pelos quais os bons
jamais serão atormentados.” 1

Quanto a boa ou má sorte, isto é, quanto aos problemas ou a
felicidade da vida ele diz:

Quem é virtuoso não se orgulha de uma, nem se deixa abater
pela outra. Para o mau a infelicidade temporal não é castigo,
senão porque a felicidade o corrompeu dos bens e dos males
mostra Deus de modo evidente os seus desígnios.” 2
Quanto a prosperidade ele diz:

Se algumas vezes, Deus, por liberdade visível, não a concedesse
a quem orando lha pede, diríamos não estar a seu alcance
distribuí-la; se jamais a negasse, a gente ficaria pensando não
servi-lo, senão para ser assim recompensado e semelhante culto
não seria de forma alguma, escola de piedade, mas de avareza e
interesse.” 3

Ele conclui dizendo que é Deus quem permite tudo a todos e o
importante não é o quanto sofremos, mas como sofremos, isto é, na
condição de salvos que em meio aos sofrimentos agradecem a Deus
apesar dos problemas:

Assim, como o mesmo cadinho purifica e funde no amor as
almas virtuosas, e a dana extermina e devasta as ímpias, assim
também, na mesma aflição os maus protestam e blasfemam contra
Deus e os bons rezam e o bendizem. Não interessa tanto o que a
gente sofre, mas como sofre.” 4

Agostinho se considerava “pobre por fora” mas “rico por
dentro” e ensinava aqueles que em decorrência da queda de Roma
perderam os seus bens, fizessem suas as palavras do patriarca Jó: “
Saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei SENHOR deu, o
SENHOR o levou; louvado seja o nome do Senhor” ( Jo 1:21).
_____________________________
1. SANTO, Agostinho. A cidade de Deus, Págs 35, 38.
2. Ibdem
3. Ibdem
4. Ibdem

AMBRÓSIO,* cujo pai ocupou o alto cargo de prefeito da palia
e cuja família fazia parte dos altos círculos imperiais de Roma,
formou-se em Direito, foi governador imperial e bispo de Milão.
Porém, por acreditar ter sido chamado por Deus, aceitou o cargo e
distribuiu todos os seus bens aos pobres; tornou-se bispo e dedicou-se
ao estudo da Bíblia e da Teologia.

ANTÔNIO, conhecido como o fundador do monasticismo, ao
atingir a maioridade, vendeu seus bens, deu o dinheiro aos pobres e se
retirou para uma vida solitária, em uma caverna onde levaria uma vida
de meditação. Seu estilo de vida influenciou outros que também
passaram a levar uma vida simples em várias cavernas.

BASÍLIO DE CESARÉIA foi educado em Atenas e
Constantinopla, mas aos 27 anos resolveu viver uma vida ascética.
Também chegou a ser bispo em Capadócia em 360.

BENTO DE NÚRSIA fundou o mosteiro de Monte Cassino,
controlou vários mosteiros e elaborou regulamentos nos quais
ensinava a “pobreza”, a castidade e a obediência, como regras
importantes, regras estas que na Idade Média tornaram-se uma das
mais importantes. Estas regras também foram levadas a Inglaterra,
Alemanha e França no século VII, tornando-se “universais” no tempo
de Carlos Magno. Além disso, tornou-se também a “regra-padrão” no
Ocidente por volta do ano 1000.

GREGÓRIO I, geralmente chamado de O Grande pertencia a
uma família rica de Roma. Recebeu educação jurídica, estudou latim,
tornou-se prefeito de Roma em 573, posição essa de alta importância e
honra. Porém, Gregório abandonou a fortuna que herdou de seu pai. A
sua mãe ao tornar-se viúva, usou todo o dinheiro que tinha e construiu
sete mosteiros na Itália.

E, note bem, Gregório tornou-se monge porentender que “o asceticismo
era uma forma de glorificar a Deus” A forma como renunciou a riqueza
impressionou a sua geração. Ele eratão humilde que se via como “o servo
dos servos de Deus.” Ele também foi um grande teólogo e é apontado juntamente
com Jerônimo, Ambrósio e Agostinho.
_____________________________
* O pastor Ambrósio, na intenção de querer ajudar os refugiados que chegaram de Milão e
resgatar os presos das garras dos contingentes, não se mostrou indiferente, mesmo sabendo
que nem todos eles eram cristãos, como que diz: “Cada um com os seus problemas”. Ele
lançou mão dos recursos financeiros da igreja para ajudá-los e quando foi acusado de
sacrilégio respondeu: “É muito melhor guardar almas para o Senhor, do que ouro. Porque
quem enviou os apóstolos sem ouro, sem ouro reuniu também as igrejas. A igreja não tem
ouro para armazená-lo, mas para entregá-lo, para gastá-lo em favor de quem têm
necessidade é conservar os vasos vivos que os de ouro” (Apud: Justo L. Gonzales, no livro
A era dos gigantes Vol. 3 P. 141).

Homens ignorantes? Não. Eles fizeram grandes contribuições
na agricultura, na construção de estradas e também ajudaram a manter
viva a “erudição”, na Idade Média, entre 500 e 1000 d.C. Nos
mosteiros havia escolas que davam educação de nível superior para os
vizinhos que desejassem estudar. Muitos outros nomes poderiam ser
citados como o de Walter o “sem-dinheiro”, os frades que faziam
votos de pobreza os Valdenses que seguindo o exemplo de Cristo,
faziam dois votos e se vestiam com simplicidade para pregar aos
pobres na sua língua. Porém, para não nos deter mais, vamos conhecer
outros “grandes pobres”. A reposta ao soluço de um Bilhão de almas.

Almas em chamas: chamados para ganhar outras almas

JOÃO WYCLIFF, era filho de pais pobres, porém conseguiu
estudar em Oxford. Mesmo tendo se tornado um professor, aos
domingos ele ia pregar o evangelho simples aos simples na língua
popular. Para Wicliff, o papa era, entre outras coisas, o mais maldito
dos exploradores da bolsa alheia. O fato de ser de origem humilde de
ter prazer em pregar o evangelho a pessoas simples, e de censurar os
meios que a igreja de Roma usava para explorar, deixa implícito que
João não era avarento, nem preocupado em granjear dinheiro. Para
Wycliff, a fonte da corrupção da igreja romana, era a sua propriedade.

MARTINHO LUTERO, o principal instrumento causador da
reforma da igreja. Lutero não insinuou em nenhum instante que o
problema da igreja fosse a falta de estabilidade financeira dos crentes.
Entre as suas 95 teses, não encontramos uma que insinue tal coisa.
Quando passou por provação e miséria, Lutero reconheceu que a
mão de Deus estava por trás de tudo aquilo. chegou mesmo a
"mendigar" o pão diário para o convento pelas ruas. Imagine se
fosse hoje, como Martinho Lutero seria interpretado pela vida simples
que levava? "Se Deus sustenta a causa, ela será sustentada" (Martinho Lutero).

JOÃO BUNYAN, cujos pais viviam em extrema pobreza,
aprendeu deles a ler e a escrever. Era apenas um funileiro, e como tal,
era pobre, mas entre as obras que escreveu encontramos o best seller
O Peregrino. O sucesso na vida de Bunyan, não ocorreu em virtude de
sua estabilidade financeira, mas foi devido a constante comunhão que
ele possuía com Deus. Aliás, no próprio livro O Peregrino, Bunyam
ensina através da vida de um dos personagens que uma pessoa não
deve ser cristã apenas se for bem sucedida financeiramente 5 **

JONATAS EDWARDS, grande avivalista do século XVIII, que
pregou o famoso sermão Pecadores nas mãos de um Deus irado.
Também não é considerado um herói da fé por pregar a riqueza como
algo fundamental na vida cristã, pelo contrário, percebe-se o que ele
pensava sobre isso quando leu um ensaio sobre o Entendimento
Humano, um escrito famoso, e se pronunciou sobre ele dizendo que
achou mais gozo nisso do que o mais ávido avarento em ajuntar
grandes quantidades de ouro e de prata de tesouros recém adquiridos.

Ele valorizou a graça e o conhecimento de Deus. O impacto
causado pelo seu famoso sermão fez com que as pessoas ficassem tão
convencidas do pecado que se agarravam aos bancos e as colunas do
local, tamanho era o medo de serem lançadas no inferno, e como
resultado, realizou-se uma grande volta para Deus. Eu li o sermão de
Jônatas, porém, não vi uma linha enfatizando a necessidade do crente
em buscar riquezas ou uma vida financeiramente bem sucedida. Não,
não foi isso que impactou os ouvintes do Jônatas Edwards.

JOÃO WESLEY, também nasceu de uma família pobre. Foi célebre
pregador na América do Norte para onde foi chamado afim de pregar
aos silvícolas, índios da Geórgia. Foi um grande pregador e também
escritor. Ele escreveu uma gramática hebraica, outra de latim, e ainda
outras de francês e inglês; foi redator de jornal, elaborou um
comentário sobre o NT, e escreveu sobre filosofia natural, entre outras
coisas. Porém, sua prioridade era levar uma vida consagrada ao
Salvador, acompanhada de oração e jejum.

Quanto à fortuna que ganhou com a venda de seus livros, ele
contribuiu para a causa de Cristo. Não estava desesperado por
riquezas, tanto é que abriu mão de tudo. Ao partir deste mundo, o que
ele deixou foi duas colheres, uma chaleira de prata, um casaco velho e
centenas de almas salvas. Ele acumulou riquezas sim, mas não neste
mundo, pois sabia que não estava confinado a ele.
_____________________________
5. BUNYAN, João. O Peregrino. Págs. 182-185.
** Em seu livro, Bunyan usa uma personagem intitulada de “Amor-ao-lucro”, a qual afirma
ser zelosa da religião quando esta é rodeada de pompas e riquezas. Cristão ( personagem
que Bunyan usa para ilustrar os verdadeiros crentes), por sua vez adverte Amor-ao-lucro,
dizendo que para seguir o mesmo caminho que ele, deveria possuir a religião tanto na
pobreza dos farrapos, como na pompa e na riqueza. Por fim, Amor-ao-lucro se separa dele e
junta-se a Apego-ao-mundo, a Amor-ao-dinheiro e Pão-duro. Amor-ao-lucro afirmou que só
professaria a religião enquanto os tempos e a sua segurança pessoal fossem favoráveis

JORGE WHITEFILD, companheiro de João Wesley,
destacado como um grande pregador ao ar livre. As mensagens de
Jorge eram poderosíssimas na unção do Espírito Santo. Certa vez
pregando com base em Hb 9:27, o impacto da Palavra foi profundo,
pois o silêncio feito após a leitura do texto foi interrompido com o
grito de alguém que anunciava a morte de um homem entre os
ouvintes.

Ele leu novamente o texto e mais uma vez um homem caiu
sem vida. Isso levou os ouvintes a refletirem sobre o assunto.
Porém, apesar de tudo isso e de ser diplomado na Inglaterra,
Jorge Whittefield não procurou fama ou riquezas terrestres. Ele
trabalhou muito em prol do orfanato por ele fundado na Geórgia. Não
vivia uma vida abastada, pelo contrário, vivia na pobreza e o que
conseguia com o seu esforço doava ao orfanato. Amava os órfãos,
sabia que esse é um dos desejos do coração de Deus.

DAVID BRAINERD, chamado para prega aos peles
vermelhas. Aos nove anos não tinha mais seu pai, e aos 14 perdeu
também a sua mãe, mas tinha a comunhão com o Pai eterno o qual fez
dele, um poderoso instrumento, para evangelizar o mundo. Oração e
jejum faziam parte da sua vida consagrada, e assim, após completar os
seus estudos para o ministério, partiu para efetuar a obra.

David não era rico e nem ansiava por isso, ele sofreu pela causa do evangelho
mas levou muitos índios aos pés da cruz. Passou frio intenso no
inverno e sofreu o calor causticante do verão, além de passar dias a fio
com fome, alimentado apenas pelo desejo de levar os índios a Cristo.

GUILHERME CAREY, o pai das missões modernas, cujo
coração anelava por levar o evangelho aos pagãos. Foi censurado quando sugeriu que todos deviam saber que é o dever dos crentes
promulgar o evangelho às nações pagãs. Mas isso não o impediu de
levar a diante a obra para a qual Deus o designou, e em 1792, após
pregar um sermão sobre Is 54:2,3, os ouvintes sentiram-se culpados
por negarem o evangelho aos países pagãos e choraram.

Foi organizada a primeira sociedade missionária da história da igreja, com
a missão de levar o evangelho aos pagãos. Mas a situação financeira
de Carey não era boa, ele era pobre e adquiriu livros emprestados para
estudar. Exercia o ofício de sapateiro, pois os membros da igreja onde
ele pregava também eram pobres financeiramente. Em sua missão na
índia entre as dificuldades que passou, muitas vezes faltou aos seus,
dinheiro e alimento.

HENRIQUE MARTYN, o homem que também sentiu o
chamado para a índia, movido apenas pelo amor as almas. Antes, ele
ambicionava ser advogado, pois resistia ao fato de ter que ser pobre
pelo amor de Cristo, mas Deus o pegou um dia e disse-lhe: "Buscas
grandes coisas para ti. Não as busques." Deus não ordenaria algo que
contrariasse a sua Palavra. Martyn obedeceu, tomando como exemplo
David Brainerd.

ADONIRAN JUDSON, outro grande homem que empenhouse
pela causa do evangelho na Birmânia. Embora tenha aprendido a ler
um capítulo da Bíblia mesmo antes de completar 4 anos, tornou-se
ateu por um período de tempo. Porém, a tristeza pela qual viu passar
um de seus antigos colegas ateus, na hora da morte, o fez reconsiderar
sobre a situação real da vida após a morte, a perdição eterna. Ele
ganhou dinheiro trabalhando e levou, juntamente com o que a igreja
tinha contribuído e empenhou tudo investindo na missão. Deu
preferência a uma vida simples em prol do evangelho recusando até
mesmo um emprego como intérprete do governo com um bom salário,
preferindo sofrer privações e opróbrio para ganhar as almas dos
pobres para Cristo.

JORGE MULLER, mais um grande exemplo de fé. Muller foi
para a universidade com 10 anos de idade afim de preparar-se para
pregar o evangelho, porém, ele não iria fazer isso com a intenção de
servir a Deus, mas sim porque queria se aproveitar disso para levar
uma vida acomodada de pregador. Mas Muller teve um encontro com

Cristo em um culto de oração, quando o seu coração mudou
radicalmente; isso o levou a ler a Bíblia inteira aproximadamente
duzentas vezes, cem delas de joelhos. Sua vida tornou-se dependente
de Deus em todos os aspectos e Deus honrou a fé daquele homem.
Naquele tempo a igreja tinha por hábito, alugar bancos,
estabelecendo valores as vezes elevados demais para serem pagos, por
isso, Muller recusava-se a aceitar o dinheiro vindo dessa fonte; era
injusto para ele preferindo, em vez disso, depender apenas de Deus,
pelo que não foi decepcionado, pois não lhe faltou o sustento
necessário, e a obra foi realizada.

JOÃO PATON, o homem que pregou aos canibais. Seu lar era
simples, e quando ele deixou a casa de seus pais, não tinha dinheiro;
foi trabalhar e estudar em outra cidade, apenas com a benção do pai.
Quando confrontado com a idéia de ser comido pelos canibais, por um
senhor de idade ele respondeu dizendo que o tal por ser mais velho em
breve seria "comido" por vermes, e já que esse é o destino de todos,
ele não se importava se fosse comido pelos canibais por pregar a eles
o evangelho. E pregou mesmo. Ele não teria ido se ambicionasse
segurança financeira, afinal isso era algo que com certeza os canibais
não poderiam dar.

HUDSON TAYLOR, o missionário da china. Hudson foi
consagrado a Deus pelos pais antes mesmo de nascer, e no devido
tempo ele entregou-se a Cristo. Quando começou a pregar deu
preferência às classes mais pobres. Estudou medicina e cirurgia com a
intenção de ir a China; não tinha a intenção de ficar rico por lá, mas
sim servir ao povo chinês. Passou por sacrifícios e privações para
estudar. Uma das maiores dificuldades foi exatamente a falta de
dinheiro.

Na china, a casa do Dr. Hudson tinha os caixotes como
móveis, uma mesa com papéis uma cama arrumada, tendo um tapete
como cobertor. Ele excluiu da sua vida toda a aparência de conforto e
luxo, mas nós veremos gente de olho esticado no reino de Deus, pois
Taylor não trabalhou em vão na Seara do Senhor.

CARLOS SPURGEON, não recebeu o título de "príncipe dos
pregadores", por incitar o povo a buscar riquezas neste mundo. Entre
as obras que ele leu O Peregrino de Bunyan, nosso outro herói, influenciou
muito a sua vida. Era um pregador nato. Onde pregava
multidões se convertiam e a igreja crescia em número, de forma
maravilhosa. A oração era o seu segredo. Ele contribuiu com a esposa
para sustentar órfãos e viúvas e muito se esforçou para fornecer
literaturas aos pregadores pobres. A grande soma de dinheiro que
recebiam era dada em prol da causa de Deus.

D. L. MOODY, o excepcional ganhador de almas. Estima-se
que ele tenha levado cerca de 500 mil almas a Cristo. Seus pais eram
pobres, e o que possuíam foi tomado pelos credores, quando o seu pai
faleceu. Moody tinha tanto amor pelos perdidos que ele mesmo
alugava assentos na igreja, só para reservá-los as pessoas não crentes
por ele convidadas ao culto. Moody sabia que nem todos possuíam
dinheiro para lugar um banco, mas todos possuíam almas! Ele não
incitava as pessoas a de alguma forma arranjar dinheiro para alugarem
um banco na igreja, como se isso fosse uma expressão de fé, e como
resultados muitos foram salvos.

Hoje muitos embusteiros ficam lançando a culpa nas pessoas
dizendo: "Se você não vem, é porque não têm fé!” "Se você não vem é
um derrotado!" E se a pessoa desejar ir a igreja dos tais, mas não
tiver recurso nem mesmo para tomar uma condução, eles dizem:
"Consiga de alguma forma, se você quer a benção de Deus!" "Tenha
fé que Deus irá prover."

Moody queria ser rico, esperava ser um grande comerciante,
mas um dia, quando orava em agradecimento a Deus pela conversão
de algumas jovens, Deus mudou o seu coração. Ele mesmo disse ter
experimentado um outro mundo e não mais queria ganhar dinheiro.
Tudo o que possuía empenhou na causa de Deus, levou uma vida
financeiramente pobre, mas fez muito pela causa divina.
Em fim, a lista dos grandes heróis também é grande demais
para caber aqui, mas o fato é que todos levavam uma vida simples
desde os primórdios, e não foi isenta de dificuldades, tal como foi a
vida daqueles citados pelo escritor da carta aos hebreus:

"Apedrejados, serrados ao meio, postos à prova , mortos ao fio da
espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras,
necessitados, afligidos e maltratados" ( Hb 11:37 ARA) . Observe, ele
não diz que os heróis nunca tiveram falta de nada e nem que viveram
uma vida regalada, onde nada lhes faltava de bom na vida, por serem
filhos de Deus, pelo contrário, passaram necessidades, aflições e sofreram maus tratos! Certamente tinham as palavras de Cristo impregnadas em suas mentes: “Quem perder a sua vida por amor de mim achá-la á” (Mt 10:39-ERC).

Eles também são nossas testemunhas

Assim nós temos essa grande multidão de testemunhas ao
nosso redor” (Hb 12:1 NTLH).

O escritor da carta aos hebreus, dando continuidade ao que
disse no capítulo 11 (Os heróis da fé,que o mundo não era digno de
ter), chama-os de testemunhas que estão ao nosso redor.
Rusconi explica o significado da palavra grega “martis” em
Hb12:1: “Testemunha: aquele cuja experiência passada fornece a
outros certezas para o presente.” 6 Qual é a certeza que tais homens
nos oferece? Sem dúvida eles nos deram verdadeiros exemplos de fé e
de simplicidade de vida. Deixaram-nos a certeza de que a força
propulsora do evangelho é a paixão pelas almas. A verdadeira igreja é
missionária e não avarenta. Fomos chamados para ganhar almas, não
dinheiro. Aqueles homens que deixaram de lado a ambição e a
avareza; abriram mão do aconchego do lar, e não fizeram caso do
dinheiro que ganharam. Homens, cujos bolsos não estavam
abarrotados de dinheiro, mas os corações estavam cheios da graça e do
amor de Deus.

Como Paulo, disseram a si mesmos: “Eu de muito boa
vontade gastarei, e me deixarei desgastar pelas vossas almas.”
Essa multidão tão grande de homens de fé está a nos observar
e certamente esperam de nós, cristãos de hoje, uma atitude semelhante
à deles. A vida deles foi a resposta ao soluço de um bilhão de almas.
Deus, da sua suprema corte, também mantêm os seus olhos
fixos naquilo que ele tanto investiu.

Os anjos - diz o apóstolo Pedro anseiam em observar aqueles a
quem foi confiado o evangelho. Em fim, os céus (Deus, os anjos e os mártires)
estão a nos observar, e o que eles vêem? Felizmente eles vêem não apenas
aqueles que se comportam como os “tios patinhas da fé”, mas também corações
inflamados pelo Espírito Santo. O mundo segue o seu curso, a história
continua, o número de pessoas aumenta e com elas o desafio da igreja.
_______________________________
6. RUSCONI, Carlo. Dicionário do grego do Novo Testamento, P. 297.

Hoje (2007), são mais de seis bilhões de almas e a maioria
soluça. Você aceita o desafio para alcançá-las?
Finalizo lembrando que, como já ficou constatado, a igreja é o
resultado de um grande projeto de Deus elaborado ainda na
eternidade, mas o fato é que, mesmo sendo um projeto de Deus, as
coisas não aconteceram como num passe de mágica, sem obstáculos e
problemas.

Tudo começou por aquele que é o seu fundamento
principal, Jesus, cuja vida foi rodeada de intensas perseguições, como,
também, os apóstolos que não tiveram uma vida fácil.
As dificuldades sempre estiveram presentes, mas elas não
evitaram o surgimento dos grandes heróis da fé. A razão da nossa fé é
o exemplo de fé, das pessoas que lutaram e que tanto insistiram pela
Palavra de Deus. Muitas das vezes com o bolso vazio, porém sempre
com o coração em chamas.

Sejam nossas estas palavras: "Ainda que a figueira não
floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os
campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do
aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no
SENHOR, exulto no Deus da minha salvação" ( Hc 3:17,18. ARA).
"Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de
tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de
fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo
posso naquele que me fortalece" ( Fp 4:12,13. ARA). Você pode
concordar com a Palavra de Deus sobre isso?

A dignidade do cristão consiste no que ele tem por dentro, não
no que ele tem por fora. Construir com aflições um memorial de valor
eterno, isso sim é sacrifício, isso sim é fé, pense sobre isso.


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