sábado, 18 de dezembro de 2010

HOMENS QUE O MUNDO NÃO ERA DIGNO DE TER


Eles deram continuidade a história da igreja

São com estas palavras que o escritor da carta aos hebreus
define a vida daqueles homens e mulheres de fé (Hb 11:38). Mas,
assim como a história da igreja não termina no capítulo 28 dos Atos
dos apóstolos, semelhantemente, a lista de heróis da fé não se resume
apenas aos citados pelo escritor aos hebreus. A história da igreja é a
nossa autobiografia que continua após o livro dos Atos escrito por
Lucas. Nós agora estamos dando continuidade, pois a igreja do Senhor
é uma realidade no mundo que nunca deixará de existir. Deus sempre
levanta homens e mulheres com o coração em chamas pela sua causa,
outros heróis e outras heroínas, cujas vidas torna o mundo indigno de
ter.

Porém, não podemos fazer vista grossa ao estilo de vida que
eles levavam, pois nos ensina muito sobre a vontade de Deus e a
realidade da vida. Sem um pingo de ambição ou avareza, aqueles
homens, cobiçavam, sim, almas para o reino; ansiavam, sim, por
salvar alguns "arrebatando-os do fogo" (Jd 23). Se a história tem uma
finalidade didática, muitos pregadores não a estudaram, e se
estudaram não observaram que a dependência de Deus e o amor a sua
causa, não ao dinheiro, é que avançou o evangelho verdadeiro. Em
síntese, vejamos o legado deixado por alguns aqueles heróis, no tocante a isso.

Almas convictas: chamados para instruir e defender a fé ortodoxa

Eles também são conhecidos como “os pais da igreja”, e,
como está evidente, os grandes vultos da história eclesiástica nem
sempre foram ricos. Entre eles podemos citar de forma bastante
sintetizada os seguintes:

HERMAS, bispo de Roma e autor da obra apocalíptica O
pastor de Hermas. Tendo se tornado um rico negociante após ter
deixado a vida de escravo, Hermas corrompeu-se deixando a família
de lado. Porém foi alcançado pelo evangelho e converteu-se
juntamente com a sua esposa. Mesmo assim, ele perdeu todas as suas
propriedades, ficou pobre, e foi então que escreveu a sua obra acima
citada.

ORÍGENES foi sucessor de Clemente de Alexandria outro
grande mestre da igreja e foi ainda autor de seis mil pergaminhos.
Mesmo tendo uma posição elevada, Orígenes levou uma vida ascética
chegando às vezes a dormir numa tábua.

JOÃO CRISÓSTOMO foi um homem tão eloqüente que
recebeu o título de “boca-de-ouro”. Foi também advogado, mas
tornou-se um monge e quando a sua mãe faleceu, passou a praticar
uma vida ascética bem rigorosa. Uma vida tão simples que era por si
mesma uma censura aos seus paroquianos de Constantinopla, os quais
tinham um padrão de vida muito elevado.

JERÔNIMO foi quem traduziu a conhecida Bíblia latina
VULGATA, vertendo das línguas originais para o latim, idioma
comum dá época no império romano. Ele também amou a vida
ascética a tal ponto que se tornou um pregador do asceticismo.

AGOSTINHO DE HIPONA, foi quem escreveu a primeira
obra de filosofia cristã. Quando se converteu Agostinho decidiu
vender a maior parte da suas propriedades e dar o dinheiro aos pobres,
como conta Justo L. Gonzales ( 1991, P.170,V2). Agostinho também
entendia que os problemas da vida ocorrem dentro da vontade de Deus
como confirmam as suas palavras: “Com efeito, aprouve á divina
Providência preparar para os justos, no futuro, bens de que os
injustos não gozarão e para os ímpios males pelos quais os bons
jamais serão atormentados.” 1

Quanto a boa ou má sorte, isto é, quanto aos problemas ou a
felicidade da vida ele diz:

Quem é virtuoso não se orgulha de uma, nem se deixa abater
pela outra. Para o mau a infelicidade temporal não é castigo,
senão porque a felicidade o corrompeu dos bens e dos males
mostra Deus de modo evidente os seus desígnios.” 2
Quanto a prosperidade ele diz:

Se algumas vezes, Deus, por liberdade visível, não a concedesse
a quem orando lha pede, diríamos não estar a seu alcance
distribuí-la; se jamais a negasse, a gente ficaria pensando não
servi-lo, senão para ser assim recompensado e semelhante culto
não seria de forma alguma, escola de piedade, mas de avareza e
interesse.” 3

Ele conclui dizendo que é Deus quem permite tudo a todos e o
importante não é o quanto sofremos, mas como sofremos, isto é, na
condição de salvos que em meio aos sofrimentos agradecem a Deus
apesar dos problemas:

Assim, como o mesmo cadinho purifica e funde no amor as
almas virtuosas, e a dana extermina e devasta as ímpias, assim
também, na mesma aflição os maus protestam e blasfemam contra
Deus e os bons rezam e o bendizem. Não interessa tanto o que a
gente sofre, mas como sofre.” 4

Agostinho se considerava “pobre por fora” mas “rico por
dentro” e ensinava aqueles que em decorrência da queda de Roma
perderam os seus bens, fizessem suas as palavras do patriarca Jó: “
Saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei SENHOR deu, o
SENHOR o levou; louvado seja o nome do Senhor” ( Jo 1:21).
_____________________________
1. SANTO, Agostinho. A cidade de Deus, Págs 35, 38.
2. Ibdem
3. Ibdem
4. Ibdem

AMBRÓSIO,* cujo pai ocupou o alto cargo de prefeito da palia
e cuja família fazia parte dos altos círculos imperiais de Roma,
formou-se em Direito, foi governador imperial e bispo de Milão.
Porém, por acreditar ter sido chamado por Deus, aceitou o cargo e
distribuiu todos os seus bens aos pobres; tornou-se bispo e dedicou-se
ao estudo da Bíblia e da Teologia.

ANTÔNIO, conhecido como o fundador do monasticismo, ao
atingir a maioridade, vendeu seus bens, deu o dinheiro aos pobres e se
retirou para uma vida solitária, em uma caverna onde levaria uma vida
de meditação. Seu estilo de vida influenciou outros que também
passaram a levar uma vida simples em várias cavernas.

BASÍLIO DE CESARÉIA foi educado em Atenas e
Constantinopla, mas aos 27 anos resolveu viver uma vida ascética.
Também chegou a ser bispo em Capadócia em 360.

BENTO DE NÚRSIA fundou o mosteiro de Monte Cassino,
controlou vários mosteiros e elaborou regulamentos nos quais
ensinava a “pobreza”, a castidade e a obediência, como regras
importantes, regras estas que na Idade Média tornaram-se uma das
mais importantes. Estas regras também foram levadas a Inglaterra,
Alemanha e França no século VII, tornando-se “universais” no tempo
de Carlos Magno. Além disso, tornou-se também a “regra-padrão” no
Ocidente por volta do ano 1000.

GREGÓRIO I, geralmente chamado de O Grande pertencia a
uma família rica de Roma. Recebeu educação jurídica, estudou latim,
tornou-se prefeito de Roma em 573, posição essa de alta importância e
honra. Porém, Gregório abandonou a fortuna que herdou de seu pai. A
sua mãe ao tornar-se viúva, usou todo o dinheiro que tinha e construiu
sete mosteiros na Itália.

E, note bem, Gregório tornou-se monge porentender que “o asceticismo
era uma forma de glorificar a Deus” A forma como renunciou a riqueza
impressionou a sua geração. Ele eratão humilde que se via como “o servo
dos servos de Deus.” Ele também foi um grande teólogo e é apontado juntamente
com Jerônimo, Ambrósio e Agostinho.
_____________________________
* O pastor Ambrósio, na intenção de querer ajudar os refugiados que chegaram de Milão e
resgatar os presos das garras dos contingentes, não se mostrou indiferente, mesmo sabendo
que nem todos eles eram cristãos, como que diz: “Cada um com os seus problemas”. Ele
lançou mão dos recursos financeiros da igreja para ajudá-los e quando foi acusado de
sacrilégio respondeu: “É muito melhor guardar almas para o Senhor, do que ouro. Porque
quem enviou os apóstolos sem ouro, sem ouro reuniu também as igrejas. A igreja não tem
ouro para armazená-lo, mas para entregá-lo, para gastá-lo em favor de quem têm
necessidade é conservar os vasos vivos que os de ouro” (Apud: Justo L. Gonzales, no livro
A era dos gigantes Vol. 3 P. 141).

Homens ignorantes? Não. Eles fizeram grandes contribuições
na agricultura, na construção de estradas e também ajudaram a manter
viva a “erudição”, na Idade Média, entre 500 e 1000 d.C. Nos
mosteiros havia escolas que davam educação de nível superior para os
vizinhos que desejassem estudar. Muitos outros nomes poderiam ser
citados como o de Walter o “sem-dinheiro”, os frades que faziam
votos de pobreza os Valdenses que seguindo o exemplo de Cristo,
faziam dois votos e se vestiam com simplicidade para pregar aos
pobres na sua língua. Porém, para não nos deter mais, vamos conhecer
outros “grandes pobres”. A reposta ao soluço de um Bilhão de almas.

Almas em chamas: chamados para ganhar outras almas

JOÃO WYCLIFF, era filho de pais pobres, porém conseguiu
estudar em Oxford. Mesmo tendo se tornado um professor, aos
domingos ele ia pregar o evangelho simples aos simples na língua
popular. Para Wicliff, o papa era, entre outras coisas, o mais maldito
dos exploradores da bolsa alheia. O fato de ser de origem humilde de
ter prazer em pregar o evangelho a pessoas simples, e de censurar os
meios que a igreja de Roma usava para explorar, deixa implícito que
João não era avarento, nem preocupado em granjear dinheiro. Para
Wycliff, a fonte da corrupção da igreja romana, era a sua propriedade.

MARTINHO LUTERO, o principal instrumento causador da
reforma da igreja. Lutero não insinuou em nenhum instante que o
problema da igreja fosse a falta de estabilidade financeira dos crentes.
Entre as suas 95 teses, não encontramos uma que insinue tal coisa.
Quando passou por provação e miséria, Lutero reconheceu que a
mão de Deus estava por trás de tudo aquilo. chegou mesmo a
"mendigar" o pão diário para o convento pelas ruas. Imagine se
fosse hoje, como Martinho Lutero seria interpretado pela vida simples
que levava? "Se Deus sustenta a causa, ela será sustentada" (Martinho Lutero).

JOÃO BUNYAN, cujos pais viviam em extrema pobreza,
aprendeu deles a ler e a escrever. Era apenas um funileiro, e como tal,
era pobre, mas entre as obras que escreveu encontramos o best seller
O Peregrino. O sucesso na vida de Bunyan, não ocorreu em virtude de
sua estabilidade financeira, mas foi devido a constante comunhão que
ele possuía com Deus. Aliás, no próprio livro O Peregrino, Bunyam
ensina através da vida de um dos personagens que uma pessoa não
deve ser cristã apenas se for bem sucedida financeiramente 5 **

JONATAS EDWARDS, grande avivalista do século XVIII, que
pregou o famoso sermão Pecadores nas mãos de um Deus irado.
Também não é considerado um herói da fé por pregar a riqueza como
algo fundamental na vida cristã, pelo contrário, percebe-se o que ele
pensava sobre isso quando leu um ensaio sobre o Entendimento
Humano, um escrito famoso, e se pronunciou sobre ele dizendo que
achou mais gozo nisso do que o mais ávido avarento em ajuntar
grandes quantidades de ouro e de prata de tesouros recém adquiridos.

Ele valorizou a graça e o conhecimento de Deus. O impacto
causado pelo seu famoso sermão fez com que as pessoas ficassem tão
convencidas do pecado que se agarravam aos bancos e as colunas do
local, tamanho era o medo de serem lançadas no inferno, e como
resultado, realizou-se uma grande volta para Deus. Eu li o sermão de
Jônatas, porém, não vi uma linha enfatizando a necessidade do crente
em buscar riquezas ou uma vida financeiramente bem sucedida. Não,
não foi isso que impactou os ouvintes do Jônatas Edwards.

JOÃO WESLEY, também nasceu de uma família pobre. Foi célebre
pregador na América do Norte para onde foi chamado afim de pregar
aos silvícolas, índios da Geórgia. Foi um grande pregador e também
escritor. Ele escreveu uma gramática hebraica, outra de latim, e ainda
outras de francês e inglês; foi redator de jornal, elaborou um
comentário sobre o NT, e escreveu sobre filosofia natural, entre outras
coisas. Porém, sua prioridade era levar uma vida consagrada ao
Salvador, acompanhada de oração e jejum.

Quanto à fortuna que ganhou com a venda de seus livros, ele
contribuiu para a causa de Cristo. Não estava desesperado por
riquezas, tanto é que abriu mão de tudo. Ao partir deste mundo, o que
ele deixou foi duas colheres, uma chaleira de prata, um casaco velho e
centenas de almas salvas. Ele acumulou riquezas sim, mas não neste
mundo, pois sabia que não estava confinado a ele.
_____________________________
5. BUNYAN, João. O Peregrino. Págs. 182-185.
** Em seu livro, Bunyan usa uma personagem intitulada de “Amor-ao-lucro”, a qual afirma
ser zelosa da religião quando esta é rodeada de pompas e riquezas. Cristão ( personagem
que Bunyan usa para ilustrar os verdadeiros crentes), por sua vez adverte Amor-ao-lucro,
dizendo que para seguir o mesmo caminho que ele, deveria possuir a religião tanto na
pobreza dos farrapos, como na pompa e na riqueza. Por fim, Amor-ao-lucro se separa dele e
junta-se a Apego-ao-mundo, a Amor-ao-dinheiro e Pão-duro. Amor-ao-lucro afirmou que só
professaria a religião enquanto os tempos e a sua segurança pessoal fossem favoráveis

JORGE WHITEFILD, companheiro de João Wesley,
destacado como um grande pregador ao ar livre. As mensagens de
Jorge eram poderosíssimas na unção do Espírito Santo. Certa vez
pregando com base em Hb 9:27, o impacto da Palavra foi profundo,
pois o silêncio feito após a leitura do texto foi interrompido com o
grito de alguém que anunciava a morte de um homem entre os
ouvintes.

Ele leu novamente o texto e mais uma vez um homem caiu
sem vida. Isso levou os ouvintes a refletirem sobre o assunto.
Porém, apesar de tudo isso e de ser diplomado na Inglaterra,
Jorge Whittefield não procurou fama ou riquezas terrestres. Ele
trabalhou muito em prol do orfanato por ele fundado na Geórgia. Não
vivia uma vida abastada, pelo contrário, vivia na pobreza e o que
conseguia com o seu esforço doava ao orfanato. Amava os órfãos,
sabia que esse é um dos desejos do coração de Deus.

DAVID BRAINERD, chamado para prega aos peles
vermelhas. Aos nove anos não tinha mais seu pai, e aos 14 perdeu
também a sua mãe, mas tinha a comunhão com o Pai eterno o qual fez
dele, um poderoso instrumento, para evangelizar o mundo. Oração e
jejum faziam parte da sua vida consagrada, e assim, após completar os
seus estudos para o ministério, partiu para efetuar a obra.

David não era rico e nem ansiava por isso, ele sofreu pela causa do evangelho
mas levou muitos índios aos pés da cruz. Passou frio intenso no
inverno e sofreu o calor causticante do verão, além de passar dias a fio
com fome, alimentado apenas pelo desejo de levar os índios a Cristo.

GUILHERME CAREY, o pai das missões modernas, cujo
coração anelava por levar o evangelho aos pagãos. Foi censurado quando sugeriu que todos deviam saber que é o dever dos crentes
promulgar o evangelho às nações pagãs. Mas isso não o impediu de
levar a diante a obra para a qual Deus o designou, e em 1792, após
pregar um sermão sobre Is 54:2,3, os ouvintes sentiram-se culpados
por negarem o evangelho aos países pagãos e choraram.

Foi organizada a primeira sociedade missionária da história da igreja, com
a missão de levar o evangelho aos pagãos. Mas a situação financeira
de Carey não era boa, ele era pobre e adquiriu livros emprestados para
estudar. Exercia o ofício de sapateiro, pois os membros da igreja onde
ele pregava também eram pobres financeiramente. Em sua missão na
índia entre as dificuldades que passou, muitas vezes faltou aos seus,
dinheiro e alimento.

HENRIQUE MARTYN, o homem que também sentiu o
chamado para a índia, movido apenas pelo amor as almas. Antes, ele
ambicionava ser advogado, pois resistia ao fato de ter que ser pobre
pelo amor de Cristo, mas Deus o pegou um dia e disse-lhe: "Buscas
grandes coisas para ti. Não as busques." Deus não ordenaria algo que
contrariasse a sua Palavra. Martyn obedeceu, tomando como exemplo
David Brainerd.

ADONIRAN JUDSON, outro grande homem que empenhouse
pela causa do evangelho na Birmânia. Embora tenha aprendido a ler
um capítulo da Bíblia mesmo antes de completar 4 anos, tornou-se
ateu por um período de tempo. Porém, a tristeza pela qual viu passar
um de seus antigos colegas ateus, na hora da morte, o fez reconsiderar
sobre a situação real da vida após a morte, a perdição eterna. Ele
ganhou dinheiro trabalhando e levou, juntamente com o que a igreja
tinha contribuído e empenhou tudo investindo na missão. Deu
preferência a uma vida simples em prol do evangelho recusando até
mesmo um emprego como intérprete do governo com um bom salário,
preferindo sofrer privações e opróbrio para ganhar as almas dos
pobres para Cristo.

JORGE MULLER, mais um grande exemplo de fé. Muller foi
para a universidade com 10 anos de idade afim de preparar-se para
pregar o evangelho, porém, ele não iria fazer isso com a intenção de
servir a Deus, mas sim porque queria se aproveitar disso para levar
uma vida acomodada de pregador. Mas Muller teve um encontro com

Cristo em um culto de oração, quando o seu coração mudou
radicalmente; isso o levou a ler a Bíblia inteira aproximadamente
duzentas vezes, cem delas de joelhos. Sua vida tornou-se dependente
de Deus em todos os aspectos e Deus honrou a fé daquele homem.
Naquele tempo a igreja tinha por hábito, alugar bancos,
estabelecendo valores as vezes elevados demais para serem pagos, por
isso, Muller recusava-se a aceitar o dinheiro vindo dessa fonte; era
injusto para ele preferindo, em vez disso, depender apenas de Deus,
pelo que não foi decepcionado, pois não lhe faltou o sustento
necessário, e a obra foi realizada.

JOÃO PATON, o homem que pregou aos canibais. Seu lar era
simples, e quando ele deixou a casa de seus pais, não tinha dinheiro;
foi trabalhar e estudar em outra cidade, apenas com a benção do pai.
Quando confrontado com a idéia de ser comido pelos canibais, por um
senhor de idade ele respondeu dizendo que o tal por ser mais velho em
breve seria "comido" por vermes, e já que esse é o destino de todos,
ele não se importava se fosse comido pelos canibais por pregar a eles
o evangelho. E pregou mesmo. Ele não teria ido se ambicionasse
segurança financeira, afinal isso era algo que com certeza os canibais
não poderiam dar.

HUDSON TAYLOR, o missionário da china. Hudson foi
consagrado a Deus pelos pais antes mesmo de nascer, e no devido
tempo ele entregou-se a Cristo. Quando começou a pregar deu
preferência às classes mais pobres. Estudou medicina e cirurgia com a
intenção de ir a China; não tinha a intenção de ficar rico por lá, mas
sim servir ao povo chinês. Passou por sacrifícios e privações para
estudar. Uma das maiores dificuldades foi exatamente a falta de
dinheiro.

Na china, a casa do Dr. Hudson tinha os caixotes como
móveis, uma mesa com papéis uma cama arrumada, tendo um tapete
como cobertor. Ele excluiu da sua vida toda a aparência de conforto e
luxo, mas nós veremos gente de olho esticado no reino de Deus, pois
Taylor não trabalhou em vão na Seara do Senhor.

CARLOS SPURGEON, não recebeu o título de "príncipe dos
pregadores", por incitar o povo a buscar riquezas neste mundo. Entre
as obras que ele leu O Peregrino de Bunyan, nosso outro herói, influenciou
muito a sua vida. Era um pregador nato. Onde pregava
multidões se convertiam e a igreja crescia em número, de forma
maravilhosa. A oração era o seu segredo. Ele contribuiu com a esposa
para sustentar órfãos e viúvas e muito se esforçou para fornecer
literaturas aos pregadores pobres. A grande soma de dinheiro que
recebiam era dada em prol da causa de Deus.

D. L. MOODY, o excepcional ganhador de almas. Estima-se
que ele tenha levado cerca de 500 mil almas a Cristo. Seus pais eram
pobres, e o que possuíam foi tomado pelos credores, quando o seu pai
faleceu. Moody tinha tanto amor pelos perdidos que ele mesmo
alugava assentos na igreja, só para reservá-los as pessoas não crentes
por ele convidadas ao culto. Moody sabia que nem todos possuíam
dinheiro para lugar um banco, mas todos possuíam almas! Ele não
incitava as pessoas a de alguma forma arranjar dinheiro para alugarem
um banco na igreja, como se isso fosse uma expressão de fé, e como
resultados muitos foram salvos.

Hoje muitos embusteiros ficam lançando a culpa nas pessoas
dizendo: "Se você não vem, é porque não têm fé!” "Se você não vem é
um derrotado!" E se a pessoa desejar ir a igreja dos tais, mas não
tiver recurso nem mesmo para tomar uma condução, eles dizem:
"Consiga de alguma forma, se você quer a benção de Deus!" "Tenha
fé que Deus irá prover."

Moody queria ser rico, esperava ser um grande comerciante,
mas um dia, quando orava em agradecimento a Deus pela conversão
de algumas jovens, Deus mudou o seu coração. Ele mesmo disse ter
experimentado um outro mundo e não mais queria ganhar dinheiro.
Tudo o que possuía empenhou na causa de Deus, levou uma vida
financeiramente pobre, mas fez muito pela causa divina.
Em fim, a lista dos grandes heróis também é grande demais
para caber aqui, mas o fato é que todos levavam uma vida simples
desde os primórdios, e não foi isenta de dificuldades, tal como foi a
vida daqueles citados pelo escritor da carta aos hebreus:

"Apedrejados, serrados ao meio, postos à prova , mortos ao fio da
espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras,
necessitados, afligidos e maltratados" ( Hb 11:37 ARA) . Observe, ele
não diz que os heróis nunca tiveram falta de nada e nem que viveram
uma vida regalada, onde nada lhes faltava de bom na vida, por serem
filhos de Deus, pelo contrário, passaram necessidades, aflições e sofreram maus tratos! Certamente tinham as palavras de Cristo impregnadas em suas mentes: “Quem perder a sua vida por amor de mim achá-la á” (Mt 10:39-ERC).

Eles também são nossas testemunhas

Assim nós temos essa grande multidão de testemunhas ao
nosso redor” (Hb 12:1 NTLH).

O escritor da carta aos hebreus, dando continuidade ao que
disse no capítulo 11 (Os heróis da fé,que o mundo não era digno de
ter), chama-os de testemunhas que estão ao nosso redor.
Rusconi explica o significado da palavra grega “martis” em
Hb12:1: “Testemunha: aquele cuja experiência passada fornece a
outros certezas para o presente.” 6 Qual é a certeza que tais homens
nos oferece? Sem dúvida eles nos deram verdadeiros exemplos de fé e
de simplicidade de vida. Deixaram-nos a certeza de que a força
propulsora do evangelho é a paixão pelas almas. A verdadeira igreja é
missionária e não avarenta. Fomos chamados para ganhar almas, não
dinheiro. Aqueles homens que deixaram de lado a ambição e a
avareza; abriram mão do aconchego do lar, e não fizeram caso do
dinheiro que ganharam. Homens, cujos bolsos não estavam
abarrotados de dinheiro, mas os corações estavam cheios da graça e do
amor de Deus.

Como Paulo, disseram a si mesmos: “Eu de muito boa
vontade gastarei, e me deixarei desgastar pelas vossas almas.”
Essa multidão tão grande de homens de fé está a nos observar
e certamente esperam de nós, cristãos de hoje, uma atitude semelhante
à deles. A vida deles foi a resposta ao soluço de um bilhão de almas.
Deus, da sua suprema corte, também mantêm os seus olhos
fixos naquilo que ele tanto investiu.

Os anjos - diz o apóstolo Pedro anseiam em observar aqueles a
quem foi confiado o evangelho. Em fim, os céus (Deus, os anjos e os mártires)
estão a nos observar, e o que eles vêem? Felizmente eles vêem não apenas
aqueles que se comportam como os “tios patinhas da fé”, mas também corações
inflamados pelo Espírito Santo. O mundo segue o seu curso, a história
continua, o número de pessoas aumenta e com elas o desafio da igreja.
_______________________________
6. RUSCONI, Carlo. Dicionário do grego do Novo Testamento, P. 297.

Hoje (2007), são mais de seis bilhões de almas e a maioria
soluça. Você aceita o desafio para alcançá-las?
Finalizo lembrando que, como já ficou constatado, a igreja é o
resultado de um grande projeto de Deus elaborado ainda na
eternidade, mas o fato é que, mesmo sendo um projeto de Deus, as
coisas não aconteceram como num passe de mágica, sem obstáculos e
problemas.

Tudo começou por aquele que é o seu fundamento
principal, Jesus, cuja vida foi rodeada de intensas perseguições, como,
também, os apóstolos que não tiveram uma vida fácil.
As dificuldades sempre estiveram presentes, mas elas não
evitaram o surgimento dos grandes heróis da fé. A razão da nossa fé é
o exemplo de fé, das pessoas que lutaram e que tanto insistiram pela
Palavra de Deus. Muitas das vezes com o bolso vazio, porém sempre
com o coração em chamas.

Sejam nossas estas palavras: "Ainda que a figueira não
floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os
campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do
aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no
SENHOR, exulto no Deus da minha salvação" ( Hc 3:17,18. ARA).
"Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de
tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de
fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo
posso naquele que me fortalece" ( Fp 4:12,13. ARA). Você pode
concordar com a Palavra de Deus sobre isso?

A dignidade do cristão consiste no que ele tem por dentro, não
no que ele tem por fora. Construir com aflições um memorial de valor
eterno, isso sim é sacrifício, isso sim é fé, pense sobre isso.


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