domingo, 10 de abril de 2016

E SE ELES TIVESSEM MENTIDO PARA PRESERVAR A PRÓPRIA VIDA?



 DEUS CONDENA UMA PESSOA QUE MENTE PARA PRESERVAR A PRÓPRIA VIDA?

Estou sendo herege se eu repensar a maneira como mostro o meu respeito, a minha adoração e a minha fé a Deus, pensando sobretudo no meu direito de viver?  Bem, pelo que tenho visto Deus se importa muito com o que sentimos por dentro, quero dizer, com as intenções do nosso coração. Jesus disse "amarás ao Senhor teu Deus com todo TODA A SUA ALMA e com TODAS AS TUAS FORÇAS.  Jesus também disse que o que contamina o homem não é o que entra, é o que sai da sua boca. Claro que se a pessoa falar com sinceridade, de coração. A gente ouve as pessoas falarem bobagens o tempo todo, mas não é de coração.  Filho fala com o pai, pai fala com o filho, a esposa fala com esposo, esposo fala com esposa, mas tudo fica na esfera da brincadeira; não é de coração, por isso o outro não se importa e nem perde o sono. É o que a gente diz de coração que importa. Ok, até aqui nenhum sinal de heresia, mas  eu vou chegar lá.

Li no livro História dos Hebreus, de Flávio Josefo, um relato curioso que nos leva a pensar se um erro realmente não justifica outro. Havia um líder chamado de Matatias, um líder Macabeu que decidira juntar grupos para lutar contra Antíoco Epfânio. Uma guarnição de Epânio fora enviada para fazê-los desistir e espertamente fizeram isso em um sábado, afinal, os judeus tem que observar o 4º mandamento do decálogo. De fato, Josefo nos conta que o grupo não reagiu por ser sábado mas alguns sobreviveram e foram contar a Matatias que os repreendeu, pois, deveriam ter lutado mesmo no sábado, argumentando que deixando de lutar eles também estavam violando a Lei fazendo-se homicidas de si mesmos.  

Interessante porque, mesmo sabendo que há o quarto mandamento no decálogo onde é expressamente proibido quebrar a observância do sábado, no entanto, no entendimento de Matatias, seria “aceitável” cometer esse erro diante das circunstâncias. Sinais de heresia? Talvez para um judeu extremamente conservador, ou algum sabatista (o cristão observador do decálogo) extremamente conservador, mas não para todos. Era tipo “ou nós ou eles”. Nesse caso o “nem por força nem por violência”, aleatoriamente usado por alguns não estava valendo.

Li um artigo interessante que me fez chegar nessas convicções que estou expondo, na famosa revista cristã Portas Abertas. Você pode conferir o artigo O preço da cruz no final desta página. O artigo diz que muitos muçulmanos estão se convertendo a Cristo, mas para não colocarem as suas vidas e nem as vidas de seus familiares em risco, continuam indo na mesquita, continuam carregando o Alcorão, e continuam orando, como qualquer muçulmano, porém, as suas orações são cristãs, a adoração que fazem é dirigida ao Deus dos cristãos, carregam o Alcorão, mas leem mesmo a Bíblia sempre que podem. Aqui entra a razão da minha pergunta inicial, não seria essa a saída para pelo menos diminuir a quantidade de massacres, assassinatos pelos extremistas islâmicos? Se um cristão pode ir à mesquita, carregar o Alcorão e até mesmo participar das orações, mas tendo no íntimo a convicção cristã de está convertida e de que deve obedecer a Cristo com uma arma apontada para a sua cabeça um cristão não poderia com a boca, alegar renunciar o cristianismo, mas com o coração, negar tal decisão?

Creio que ele estaria lutando com TODAS AS SUAS FORÇAS, estaria empenhando toda a sua alma, canalizando tudo para o Deus cristão ao afirmar com a boca mas negar com o coração que acredita em Jesus. Creio que com uma arma na cabeça essa não seria jamais uma negação voluntária tida por conta própria do fiel, mas da boca pra fora, pelo medo de morrer ou de sua família morrer. Heresia?  COM TODA A MINHA ALMA, não com alma de Paulo, Pedro, João, etc. COM TODAS AS MINHAS FORÇAS, não com as forças de Moisés, Abraão, de Pedro, de Paulo, etc. Será que seria passível de condenação um cristão que agisse assim?

É claro que Jesus disse que o diabo é o pai da mentira, Jo8:44. Mas, a que tipo de mentira ele se refere, de todas e em quaisquer circunstâncias da vida? Se a resposta for sim, então muitos homens e mulheres respeitados no AT não passariam por este crivo. Mas já passaram, pelo menos para o escritor da Carta aos Hebreus que os classifica como grandes heróis da fé; homens que o mundo não era digno de ter. Mas por medo de morrer Abraão não mentiu?  (Gn 12:12-19). Deus o condenou? Isaque mentiu também, porque Deus não o condenou? Davi mentiu (1 Sm 21:2). Só eles? Não. As parteiras mentiram para faraó quando os hebreus eram escravos no Egito. Ex 1:18-20. Raabe mentiu para esconder os espias hebreus. Jos. 2:1-4. E ela ainda foi justificada.Tg 2:25.  Um anjo inspirou profetas a profetizarem mentiras ao rei Acabe. I Rs 22:21-22, essa é polêmica.  Eliseu, mandou o enviado do rei Hazael mentir para ele. II Rs 8:8-10, 11.  Por medo de morrer, um cristão não pode mentir para os verdugos das facções extremistas islâmicas?

Vamos supor que de antemão um cristão ore a Deus informando que não desrespeita a sua palavra, acredita no evangelho, em Jesus, acredita no sacrifício da cruz, e o amam a ponto de dar a vida por ele. Mas esta pessoa também mostra para Deus que uma vida lhe foi dada e que ela tem o direito de vivê-la e ninguém tem o direito de tirá-la, se não ele, O Doador. Deus é quem doa a vida, logo ela é sagrada e ninguém tem o direito de interrompê-la. Até mesmos os assassinos dos cristãos fazem  uso da vida concedida por Deus para tirar a vida do seu semelhante, mas com que direito?  Pois nele vivemos, nos movemos e existimos’ (At17:28). 



Ela então não pode dizer que o que vai dizer ao verdugo ou aos inquiridores não é a verdade contida em sua alma, mas um disfarce para preservar a sua vida? Ao dizer "eu nego,  a Jesus" o seu coração estaria na verdade dizendo "eu nego a Alá".  Ao dizer "eu nego a Bíblia e não acredito nela" o seu coração estará dizendo "eu não creio no Alcorão". Pode ser isso considerado por Deus? Não pode um cristão mostrar que existe uma grande diferença de força, pois o inimigo usa armas letais, torturas psicológicas e que a desproporcionalidade de forças torna extremamente covarde e desumano o ato matar ou de torturar uma pessoa da forma mais cruel possível e que tudo pode ser evitado, por causa de umas frases? Pode um cristão fazer isso? Ou alguém vai me dizer que se uma pessoa mentisse para sobreviver, e depois parecesse aqui no Brasil ou em algum outro país, dando testemunho da sua fé, ninguém ia ao culto para ouvi-lo? 

Em última análise é a mentira blasfêmia contra o Espírito Santo? Se não é, como pois não pode esta ser perdoada, se nos arrependemos depois? Pensem comigo, se o próprio Pedro, que teve o privilégio de andar com Jesus, viver com ele comer com ele, aprender diretamente dele, ainda assim o negou por três vezes, porque outro ser humano tem que ser superior a ele? Por que Deus perdoaria só a Pedro? Ele mentiu ou não mentiu para preservar a própria vida? Mas depois Pedro arrasou! 

Artigo III "Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal" DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS: http://www.dudh.org.br/wp-content/uploads/2014/12/dudh.pdf






























2 comentários:

António Jesus Batalha disse...

Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho.Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns, decerto que virei aqui mais vezes.
Sou António Batalha.
Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.
Peregrino E Servo.

Domingos Santos disse...

Obrigado, pelas suas palavras Antônio! Depois de ir ao seu blog, vejo que você é um homem sábio e humilde.

Já me tornei o seguidor a mais.